A VEZ DOS SELOS
Adiciona e Repassa
Os dadaístas e, principalmente, os surrealistas com seus jogos artísticos imbuídos da cooperação já realizavam de alguma forma o “adiciona e repassa”. Porém, foi através de Johnson que esta atividade se consolidou no meio postal e com esta denominação (add and pass). “O seu amor (de Johnson) pela colaboração e pelo hábito de reciclar trabalhos velhos em novos, criou um fluxo dentro da arte postal que circunda o globo com as instruções add and pass” (Bloch, 1995).
Nesta atividade, há geralmente uma imagem pré-existente que o destinatário terá que manipular e dar a ela um novo caráter. Não necessariamente o movimento é de vai-e-volta, pode ser requerido que o destinatário passe a outro destinatário e assim sucessivamente até que um decida (ou já esteja pré-estabelecido pelo proponente) que a obra esteja pronta para voltar ao remetente.
Na Internet esta modalidade é muito comum, pela facilidade em se capturar imagens e manipulá-las virtualmente sem a necessidade da impressão, o que barateia o custo, além de deixar o “jogo” mais rápido.
Selos de Artista

Esta é uma modalidade que nasceu antes da arte postal com o artista frencês novo-realista Yves Klein. Segundo John Held (2002), este artista elaborou um selo azul e o fixou nos convites para a sua exposição, causando um escândalo burocrático quando chegou a ser enviado e timbrado com êxito na década de 50. Esta atitude se tornou um ponto de referência para a arte postal. Porém, os selos de artistas só vieram a se tornar um importante gênero da arte postal a partir de sua utilização pelos participantes do grupo Fluxus e da New York Correspondance School.
Artist Stamps and Stamp Images (Canadá, 1974) organizada por Jas Felter, foi a primeira exposição deste gênero, tendo papel importante na sua divulgação e expansão, além disso, seu catálogo tornou-se uma referência sobre o tema.
A definição para a palavra “selo” para os selos de artista refere-se “ao que poderia ser chamado de pseudo-selo de correios, ou seja, um selo alternativo, oposto às publicações desenhadas para o uso dos serviços postais oficiais ou governamentais do mundo” (Felter, 1993). Os selos de artista, segundo Felter (op.cit.), são impressos ou gravados, contêm perfurações, são adesivos ou engomados, sendo produzidos em uma edição limitada (assinada e numerada), contêm alguma indicação sobre a autoridade emissora real ou imaginária, levam alguma denominação e podem substituir aparentemente um selo sobre um envio postal, tendo o mesmo aspecto e impressão que um selo oficial. Diferem-se das “imagens de selo”, sugestões que lembram selos, mas são aquarelas, desenhos, serigrafias que geralmente têm as perfurações desenhadas e apresentam-se em tamanhos maiores que os selos convencionais. Ambos são amplamente utilizados por artistas postais, mas não se limitam às atividades da rede, muitas vezes sendo comercializados.
Selos de Borracha
Um dos primeiros a utilizar carimbos em trabalhos artísticos foi Kurt Schwitters. Antes de construir os Merz, realizou os chamados Stempelzeichnungen (1918) em que carimbou palavras de maneira rítmica e de forma firme sobre fundos claros, geralmente aquarelados.
Desde então, segundo Merz Mail (1994), são utilizados massivamente por artistas postais de todo o mundo que se apropriam de carimbos administrativos, fazendo interferências, ou que criam seus próprios carimbos com mensagens e/ou imagens. A utilização de carimbos nos envios torna a identificação fácil porque o receptor pode imediatamente determinar a origem da mensagem. Numerosos artistas trabalham quase que exclusivamente com a técnica dos carimbos em diversas composições como repetição de imagens ou criando logo de artistas. “Tornaram-se um vínculo partilhado por toda rede, em que cada artista parecia ter o seu próprio carimbo” (Held, 1990).
Devido a sua ampla utilização foram criadas publicações, arquivos, convocatórias e galerias destinadas exclusivamente a este tema. Uma importante publicação, conforme Held (op.cit.), é a Rubberstampmadness, editada por Lowry Thompson desde 1978, que divulgou o gênero, criando uma nova indústria centrada no uso de carimbos visuais, tanto por motivos decorativos como postais.
Fonte:http://www.merzmail.net/artepostalarte.htm
[...] a questão não é somente levar a arte para a rua, mas sim transformar seu significado social em ações e trabalhos que tem que estar introduzidos ativamente em seu desenvolvimento, fazendo referência, antes de tudo, àqueles problemas que se ocultam, sensibilizando as pessoas, tentando dar-lhes ânimos para mudar suas perspectivas. E essa modificação transformaria a obra de arte, seu consumo e inclusive a relação artista-espectador. (Clemente Padín citado por Held, 1990)
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